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Entenda o que é trabalho invisível

  •  Icone Calendario27 de março de 2023
  •  Icone Relogio 18:12
  •  
  • Talitha Benjamin
 trabalho invisível: mulher realizando múltiplas tarefas, profissionais e domésticas

Pouco se fala sobre o trabalho invisível, aquele que é totalmente realizado pelas mulheres. Conheça os conceitos, consequências e reflexões.

Historicamente, a relação das mulheres com o trabalho sempre foi complicada. Foi durante uma jornada de trabalho, com operárias, em que ocorreu um dos maiores registros de feminicídio da história: mulheres brutalmente assassinadas simplesmente por exigirem direitos trabalhistas, episódio que dá origem ao Dia Internacional das Mulheres. Essa história é ainda mais difícil de lidar se falarmos de mulheres negras, marcadas pela Escravidão, e que até hoje lidam com cicatrizes e resquícios de centenas de anos de trabalho forçado.

Mas ao falarmos sobre mulheres e trabalho, é comum que imaginemos só aquele trabalho tradicional, acontecendo fora de casa, em indústrias, serviços, escritórios e afins. Pouco se fala sobre o trabalho invisível, aquele que é totalmente realizado pelas mulheres, e que se agrava conforme recortes sociais são realizados. Mulheres, aquelas que são não-brancas, e aquelas de classes baixas são responsáveis por basicamente todas as funções que constroem a sociedade e os seres humanos como conhecemos.

Do trabalho físico, passando pelo doméstico, financeiro, e terminando no emocional, somente recentemente que se passou a discutir abertamente sobre as feridas e consequências causadas pela carga imensa imposta às mulheres, e como isso pode afetá-las cruelmente, e consequentemente, afetar toda a sociedade.

O que é trabalho invisível?

Se chama trabalho invisível todas aquelas funções que, em geral, não são reconhecidas como tarefas dignas de remuneração, mas essenciais para o funcionamento dos lares e da economia. Essas funções representam, em geral, as atividades relacionadas ao cuidado de crianças e pessoas, comunidades e lares, e, em geral, da sociedade.

A gravidez, as tarefas domésticas, o cuidado com idosos, pessoas doentes ou vulneráveis, e também o trabalho emocional, entram no escopo do trabalho invisível, justamente porque não recebem o devido reconhecimento, não são remunerados, e quando recebem compensação, geralmente são salários baixos e condições inadequadas.

Quem são as trabalhadoras invisíveis?

Considerando que a maior parte do trabalho invisível corresponde ao serviço doméstico e de cuidado, essa carga é amplamente atribuída a apenas um grupo. De acordo com um relatório da organização não-governamental Oxfam, feito durante a pandemia, 75% do trabalho de cuidado não-remunerado do mundo inteiro é realizado por meninas e mulheres, que quando somados, correspondem a 12 bilhões de horas diárias.

No Brasil, esse número é ainda mais acentuado: 85% do trabalho de cuidado é feito pelas mulheres. Em 2019, o IBGE apontou que as mulheres gastavam, em média, 21 horas semanais cuidando do lar, enquanto homens gastavam apenas 11 horas, metade do tempo. Considerando que uma grande parcela dessas mulheres também trabalham fora de casa, em empregos formais ou informais, os números assustam: a jornada de “trabalho” é exaustiva, não-remunerada e desvalorizada.

O estudo “CoronaChoque e Patriarcado”, produzido pelo Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, destaca que, apesar de o cuidado realizado pelas mulheres ao redor do mundo exigirem tempo e esforço, não há compensação nenhuma. Eles ainda chamam a atenção para o fato de que todas as horas gastas pelas mulheres cuidando da casa, dos filhos, dos parceiros e dos familiares correspondem a cerca de 10 trilhões de dólares por ano, três vezes mais do que o valor gerado pela indústria tecnológica.

O trabalho invisível em casa: amor, devoção ou trabalho não-remunerado?

Quando falamos do trabalho que não é remunerado e valorizado, falamos de cuidado com os filhos, com a casa, com os parceiros e com os familiares. As expectativas sociais e estereótipos de gênero colocam essas funções como inerentemente femininas, e até mesmo propagam a falácia de que mulheres possuem um dom específico para cuidar, e que também são mais “emocionais”, o que, automaticamente, isenta os homens dessa responsabilidade.

Essas expectativas são amplamente propagadas por papéis de gênero; que vão desde a criação, colocando as meninas para brincarem de serem mães e cozinheiras, até mesmo na mídia, na arte e no imaginário popular, colocando-as para serem sempre coadjuvantes, com o único papel de “ajudar” os homens, os protagonistas.

Também, por não ser devidamente reconhecido ou remunerado, o trabalho de cuidar também é visto como uma atividade menos importante e valiosa e, assim, além de serem desvalorizadas, espera-se que as mulheres completem essa função sem remuneração.

Em paralelo, homens são desencorajados a fazerem tarefas domésticas, a participarem mais ativamente da vida familiar, e a não desenvolverem sua inteligência emocional, já que estes são todos os papéis atribuídos às mulheres. O resultado é um sistema que se retroalimenta, criando homens que dependem do cuidado das mulheres, mas que não estão dispostos a valorizá-la.

Quais são as reflexões necessárias sobre o trabalho invisível das mulheres?

Quando falamos de cuidado, é indispensável, em primeiro lugar, reconhecer a sua importância. Mulheres geram e criam as crianças, cuidam da casa, dos familiares e dos parceiros. Cozinham, limpam, ajudam na escola, organizam o funcionamento do lar e das finanças. Precisamos, também, acabar com a falácia de que, ao dominar o trabalho de cuidado, as mulheres não são responsáveis pelo “ganha-pão”: de acordo com o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), quase metade dos lares brasileiros é sustentado por mulheres no país.

As consequências dessa sobrecarga física e emocional são grandes, e é ela um dos principais motivadores da desigualdade de gênero, situação alarmante no nosso país. Enquanto se espera que realizem todas essas funções — o trabalho invisível e o remunerado — o excesso de responsabilidades pode gerar estresse, burnout e o sentimento de desvalorização (como a síndrome de impostora ou a depressão).

Outra consequência de esperar e exigir que apenas mulheres realizem esse trabalho invisível, é a inevitável barreira que se cria para as mulheres alcançarem a igualdade de gênero. A desproporcionalidade de responsabilidade faz com que elas tenham menos tempo para estudar e expandir a sua carreira profissional, e consequentemente, diminuem as oportunidades para que elas cresçam e consigam mais reconhecimento em um mercado de trabalho que já é hostil para este grupo. É necessário refletir que, por mais importante que seja o trabalho de cuidar dos outros, é essencial que mulheres pensem, primeiramente, em seu próprio avanço pessoal e profissional, da mesma forma que os homens fazem.

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